Os títulos do Tesouro Direto com correção pela inflação (Tesouro IPCA+) desaceleraram sua queda nesta quarta-feira (8) após o Irã anunciar o fechamento do Estreito de Ormuz e ameaçar romper o cessar-fogo firmado recentemente com os Estados Unidos. O movimento impactou diretamente as taxas dos títulos públicos, que operaram com forte volatilidade durante o pregão.
Reversão nas taxas após escalada geopolítica
Pela manhã, os papéis prefixados do Tesouro começaram o dia com queda expressiva, chegando a recuar até 36 pontos-base. O Tesouro Prefixado 2029, por exemplo, caiu de 13,72% ao ano para 13,36%, mas depois reverteu parte desse movimento e fechou próximo a 13,39%. Situação semelhante ocorreu com os prefixados de prazos mais longos, como o 2032 e o 2037.
Já os títulos Tesouro IPCA+ apresentaram uma oscilação menor na abertura, mas tiveram reversão mais significativa depois do anúncio do Irã. O IPCA+ 2032, que chegou a 7,54% de juro real, voltou a 7,56%. O vencimento mais longo, IPCA+ 2050, ajustou para 6,89% após atingir o mínimo do dia em 6,80%.
Contexto do fechamento do Estreito de Ormuz
O anúncio da marinha iraniana ressaltou que o estreito estará bloqueado e que embarcações que tentarem atravessá-lo sem autorização serão “alvejadas e destruídas”. A manutenção do cessar-fogo depende do fim dos ataques israelenses no Líbano, o que Israel rejeita incluir no acordo.
Segundo especialistas, o desfecho das negociações marcadas para sexta-feira (10) em Islamabade pode influenciar a continuidade do movimento das taxas dos títulos públicos.
Impactos nos mercados locais e câmbio
O dólar oscilou durante o dia, chegando a cair para R$ 5,06, mas depois recuperou-se para cerca de R$ 5,10. De acordo com analistas, o real permanece vulnerável a possíveis estresses internacionais, especialmente relacionados ao risco geopolítico e ao setor energético.
O índice DXY, que mede a força do dólar em relação a outras moedas, recuou apenas durante momentos de alívio nas notícias, indicando que a moeda americana pode manter a volatilidade no curto prazo.
Reflexos para investidores
Os investidores devem acompanhar com atenção os desdobramentos das negociações internacionais e a evolução do conflito, pois fatores geopolíticos têm mostrado impacto direto nos preços e taxas dos títulos públicos. A volatilidade pode continuar elevada, especialmente em ativos sensíveis a riscos globais.
Por enquanto, as taxas dos títulos do Tesouro Direto permanecem em níveis inferiores aos registrados antes da trégua, mas a cautela segue recomendada para aqueles que buscam oportunidades no mercado de renda fixa.
