O crime organizado na América Latina vive uma transformação estrutural que reduz a dependência do tráfico de drogas e amplia o alcance para outras atividades ilegais. Segundo dados recentes divulgados pela Organização dos Estados Americanos (OEA), as organizações criminosas diversificam suas receitas, investindo em setores como extorsão, tráfico de armas, exploração sexual e crimes financeiros.
Expansão dos negócios ilícitos
De acordo com Ivan Marques, secretário de Segurança Multidimensional da OEA, o lucro dessas redes criminosas passa a ser distribuído entre uma variedade de mercados ilícitos. A cocaína continua relevante, mas não é mais o único foco econômico. Novas áreas de atuação incluem o comércio ilegal de fauna, extração clandestina de recursos naturais e crimes digitais como fraudes e extorsões online.
Redes descentralizadas e globais
Outra mudança importante está na estrutura destas organizações. Antigos cartéis centralizados dão lugar a redes estruturadas de forma descentralizada, que atuam com alianças entre grupos locais e internacionais. Esse modelo fragmentado permite maior capilaridade geográfica e reduz riscos operacionais.
Facções brasileiras como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) exemplificam essa expansão, mantendo operações em pelo menos 20 países, segundo a OEA. Eles articulam cadeias onde diferentes atores cuidam da produção, logística e distribuição.
Investigação e ameaças emergentes
Além da diversificação das atividades criminosas, a OEA chama atenção para o crescimento dos crimes no ambiente digital. O Brasil, em especial, aparece como um dos principais alvos globais de ataques cibernéticos, extorsões e fraudes online.
Entre outras preocupações estão o desvio de explosivos de operações de mineração, o aumento da circulação de armas na região do Caribe, e o uso ilegal de materiais biológicos e radioativos, aspectos que ampliam os desafios para a segurança pública.
Esta transformação no crime organizado impacta diretamente a segurança dos cidadãos, exigindo respostas integradas das forças de segurança e políticas públicas mais adaptadas a esse novo cenário multifacetado, segundo especialistas da OEA.
