As contas externas do Brasil registraram um déficit de US$ 6,036 bilhões em março de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira (24). Esse valor representa mais que o dobro do resultado negativo apurado no mesmo mês do ano anterior, quando o déficit foi de US$ 2,930 bilhões.
O desempenho reflete a movimentação das transações comerciais, de serviços e de renda com o exterior. Em março, o cenário foi marcado por uma forte alta nas importações, que avançaram 19,9% na comparação anual, atingindo US$ 26,118 bilhões. Já as exportações de bens cresceram 9,5%, somando US$ 31,738 bilhões no mês.
Impactos da alta nas importações e déficit em serviços
De acordo com o Banco Central, a deterioração do saldo em março ocorreu especialmente pela redução do superávit na balança comercial de bens, que caiu US$ 1,6 bilhão, e pelo aumento do déficit em renda primária (US$ 1,1 bilhão) e em serviços (US$ 600 milhões). Esses fatores indicam que o país importou mais e enfrentou maiores despesas com pagamentos de rendas e serviços internacionais.
Déficit anual mostra tendência de queda
Apesar do aumento do déficit em março, o resultado acumulado nos 12 meses encerrados no mesmo mês mostrou melhora. O saldo negativo totalizou US$ 64,274 bilhões, o equivalente a 2,71% do Produto Interno Bruto (PIB), ante US$ 74,383 bilhões (3,47% do PIB) no período encerrado em março de 2025. Segundo dados recentes, isso sugere uma tendência de redução do déficit em transações correntes no último ano.
Financiamento por capitais de longo prazo
Para cobrir o déficit externo, o Brasil tem contado principalmente com investimentos diretos no país (IDP), considerados de melhor qualidade por serem aplicados no setor produtivo e de longo prazo. Em março de 2026, esses investimentos somaram US$ 6,037 bilhões, valor próximo ao observado em igual mês de 2025.
No acumulado dos últimos 12 meses, os investimentos diretos atingiram US$ 75,660 bilhões (3,18% do PIB). Por outro lado, os investimentos em carteira registraram retirada líquida de US$ 2,867 bilhões em março, especialmente no mercado de títulos de dívida.
Reservas internacionais diminuem em março
O estoque de reservas internacionais do Brasil caiu para US$ 362 bilhões em março, menor em US$ 9 bilhões comparado ao mês anterior. Apesar dessa queda, os especialistas consideram o nível ainda confortável para garantir a estabilidade econômica diante do cenário externo.
Segundo dados recentes e de acordo com especialistas, o aumento do déficit das contas externas em março sinaliza maior atenção para o comércio internacional e o fluxo de capitais no país. Para o consumidor e as empresas brasileiras, isso pode refletir em volatilidade cambial e reajustes nos preços de produtos importados.
