Os bispos católicos da Argentina manifestaram nesta segunda-feira a necessidade de diálogo para superar o bloqueio imposto pelo governo do presidente Javier Milei ao acesso de jornalistas à Casa Rosada, sede do Executivo argentino, em Buenos Aires.
De acordo com um comunicado da conferência episcopal, o arcebispo Jorge Lozano e representantes da imprensa se reuniram na última sexta-feira para discutir a restrição, que ocorreu após o governo alegar “espionagem ilegal” decorrente da divulgação de imagens gravadas com óculos inteligentes pela rede de televisão TN.
A decisão de impedir o ingresso de profissionais credenciados gerou preocupação sobre o respeito ao direito ao trabalho e à liberdade de expressão, princípios constitucionais defendidos durante a reunião entre bispos e jornalistas.
Os participantes reforçaram a importância do acesso à informação para a sociedade e a necessidade de evitar discursos de ódio, em referência ao chamado do papa Leão 14 para “desarmar as palavras e deixar de lado as expressões ofensivas”.
Desde 1940, a sala de imprensa da Casa Rosada funcionava sem interrupções significativas, oferecendo cobertura direta dos eventos do governo. A suspensão do acesso a jornalistas representa um episódio pouco comum e controverso.
A conferência de bispos espera que a situação seja revertida rapidamente por meio da compreensão mútua entre governo e imprensa, visando garantir o respeito aos direitos constitucionais associados à liberdade de expressão e circulação de informações essenciais ao controle social.
Segundo dados recentes, a mídia argentina e entidades ligadas à liberdade de imprensa acompanham o caso com atenção, alertando para possíveis impactos negativos na transparência das atividades governamentais e no exercício do jornalismo independente.
